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CONGRESSO BRASILEIRO DAS ENTIDADES DE NOTAS E REGISTROS
Fortes
Visitar
os fortes de Salvador é fazer uma viagem de volta ao passado e
conhecer mais sobre a história da capital baiana. Desde 1995, o Exército
abriu à visitação pública quatro de seus fortes: Monte Serrat, São
Diogo, São Pedro e Santo Alberto. A guarda destes locais recebeu
treinamento apropriado para trabalhar diretamente com turistas,
nacionais e estrangeiros.
História
A cidade de Salvador nasceu sob o signo da defesa. Os portugueses
deram início à implantação de um sistema de defesa que evoluiu
até o século XVIII. Uma grande muralha de taipa e barro,
suficiente contra as flechas dos índios foi a primeira obra militar
portuguesa na Capital.
Com o passar dos anos, a muralha foi ampliada e reforçada em pedra
e sal, ganhando baluartes na parte do mar e torres encasteladas nas
portas voltadas para o São Bento e o Carmo.
Logo, as preocupações de defesa se voltaram para o mar, de onde os
corsários estrangeiros ameaçavam a cidade. Inútil contra a
artilharia da época, a velha muralha deu lugar a um eficiente
sistema de defesa em profundidade, com trincheiras, muralhas e
fortificações, construídas em lugares estratégicos e armadas de
acordo com a evolução da arte da guerra.
Alguns projetos nasceram da criatividade dos militares portugueses,
outros foram desenhados por engenheiros militares das escolas
italianas e francesas, contratados pelo governo colonial. A idéia
era sempre aproveitar as condições naturais do terreno para as
necessidades de defesa e o exercício da mais bela plasticidade.
Forte
de São Pedro: construído no lugar escolhido pelos
holandeses em 1624 para uma fortificação, foi erguido entre 1646 e
1723. Ocupando um lugar estratégico para a defesa do limite
Sudoeste da cidade colonial, tinha como objetivo principal impedir o
acesso a Salvador de invasores desembarcados no Porto de Barra.
Sua concepção, em forma quadrada com quatro baluartes traçados em
forma de ponta de lança, era um avanço para a época. Neste forte,
os militares brasileiros se rebelaram pela primeira vez contra o
governo colonial português, em 1822, iniciando a guerra pela
independência do Brasil.
Forte
de Santo Antônio da Barra:localizado no Farol da Barra, foi
construído entre 1583 e 1587 por Manoel Teles Barreto. Sofreu
alterações entre 1602 e 1702. Foi a primeira fortaleza erguida na
entrada da Baía de Todos os Santos. Abriga o Museu Hidrográfico
da Marinha, com mapas e maquetes de navios antigos.
Forte
de Santa Maria: após a invasão holandesa de 1624, os
governantes fizeram fortificações na pequena enseada do Porto da
Barra, com o objetivo de cruzar fogo e impedir novas invasões. Esta
fortaleza, concluída no século XVIIII e que guarda uma imagem de
Nossa Senhora, serviu como depósito de bóias do balizamento do
porto durante muitos anos. A fortaleza tem planta heptagonal de tipo
italiano e acesso à casa de comando por uma ponte.
Forte
de São Diogo: situado na base de um morro, ao lado direito
da praia do Porto da Barra, foi erguido com a finalidade de impedir
o desembarque de invasores no único porto seguro existente para
eles, que pretendiam atacar a cidade pelo lado Sul. Atuou
belicamente em maio de 1938, por ocasião da invasão holandesa,
quando Maurício de Nassau enviou a sua frota.
Concluído em 1722, abrigava uma bateria de sete canhões em seu
curioso terrapleno, cuja forma, não-convencional, acompanha
palmo-a-palmo a curvatura da costa, aproveitando a raiz da colina
cortada para a sua construção. Com planta irregular do tipo
italiano, possui casa de comando com dois pavimentos, portada com
brasão e guarita.
Sofreu sucessivas modificações em sua forma original. Mais do que
uma atração histórica, que guarda um visual exclusivo da Baía de
Todos os Santos, esse forte é um importante centro de lazer.
Forte
de Nossa Senhora de Monte Serrat: considerado, devido à sua
forma harmoniosa, a mais preciosa construção militar brasileira.
Foi construído a partir de 1583, numa posição verdadeiramente
estratégica – ocupa o outeiro no extremo da Península
Itapagipana, fechamento da Baía de Todos os Santos –, com uma
torre cercada de muralhas flanqueadas de bastiões redondos, e
concluído em 1742, com uma bateria de nove canhões.
Sua história fala de momentos de
heroísmo na resistência aos holandeses em 1624 e 1638 e da
emboscada dos militares brasileiros contra o governador holandês
Van Dorth. Desde 1993, abriga o Museu da Armaria, com canhões
e metralhadoras da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Dele, se
tem a vista mais privilegiada da entrada da Baía de Todos os
Santos, tendo de um lado Salvador e, do outro, a Ilha de Itaparica.
Forte
de São Marcelo: Inicialmente de madeira, foi todo reconstruído
em alvenaria em 1624 para enfrentar os holandeses. Em 1650, ganhou a
definitiva forma circular. Só tem acesso de barco.
Forte
de Santo Abelardo: localizado na avenida Jequitaia, Cidade
Baixa, é mais conhecido como Forte da Lagartixa. Sua construção
foi iniciada em 1590, ao redor da antiga Torre de São Tiago, cujos
vestígios arqueológicos foram recentemente descobertos.
Concluído em 1610, integrava um sistema de defesa com o Forte de
Santo Antônio Além do Carmo, sendo ocupado pelos holandeses nas
invasões de 1624 e 1638.
Forte
de Santo Antônio Além do Carmo: construído na segunda
metade do século XVII no largo de Santo Antônio, serviu de prisão
a importantes figuras da vida política nacional cem anos mais
tarde.
Sofreu muitas modificações a partir do século XIX, quando
funcionou apenas como trincheira. Após a segunda invasão
holandesa, teve o parapeito reerguido. Porém, nunca chegou a
participar de episódios de guerra. Recentemente serviu como Casa de
Detenção e sediou o Centro de Cultura Popular.
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